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Novo lar

Zoológico de Brasília devolve loba-guará à natureza

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Foto/Imagem: Pedro Ventura/Agência Brasília
Mariana Damaceno

A Fundação Jardim Zoológico de Brasília participou na tarde dessa sexta-feira (16) da soltura de uma loba-guará, com suspeita de atropelamento.

Em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o zoo acompanhou a contenção e o manejo do canídeo até o novo lar.

Antes de ser escolhido o lugar — que não pode ser informado —, o órgão federal fez um levantamento da espécie no local e um estudo para saber se o espaço comportaria mais um indivíduo. Além disso, certificou-se de que a área tivesse comida, água e ficasse longe de pistas urbanas.

De acordo com o coordenador do Centro de Triagem de Animais Silvestres, do Ibama, Márcio Henrique Ferreira, a maior parte dos resgates que o instituto faz de lobos-guarás é devido a atropelamentos.

“Hoje em dia, a área de vida dos lobos sofre muita pressão urbana”, explica o assistente de plantel da Diretoria de Mamíferos do zoo, Lucas Macário. “Os atropelamentos ocorrem muitas vezes quando eles estão à procura de alimento.”

Outras causas que os ameaçam são a perda de habitat, com a expansão da agricultura, e cachorros domésticos.

Antes de ser solta na natureza, a loba-guará passou por cuidados no Zoológico de Brasília durante um mês. Já adulta, a fêmea foi resgatada pelo Ibama e precisou de tratamento para uma fratura na pélvis e uma hemorragia. Além disso, tomou medicações para o controle de doenças causadas por carrapato.

Ela foi mantida em um recinto extra, isolada do contato humano, para que tivesse os hábitos preservados. De acordo com a veterinária do zoo Betânia Pereira Borges, para que não percam os costumes da vida livre, é importante que animais silvestres aptos a voltarem à natureza façam-no o mais rapidamente possível.

A fundação trabalha em projetos de soltura de outros cerca de 200 indivíduos, que também chegam por meio de resgate e são encaminhados ao zoológico. Entre eles está Cangote, quati que veio com poucas semanas e hoje se mantém arisco.

De acordo com Betânia, está em estudo um projeto — que envolve vários fatores — para incluir o pequeno mamífero em um grupo.

Animais que não podem voltar à natureza também contribuem para conservação da espécie – Segundo a veterinária, nem todo animal está apto a retornar para a natureza. Os motivos variam e podem incluir algum problema de saúde ou até o fato de ele ter se tornado manso demais, o que provavelmente o mataria na vida livre.

O tamanduá-mirim Pudim, por exemplo, passou por um trabalho de desapego, e até ficou com um exemplar adulto para que aprendesse os hábitos da espécie. Ainda assim, é muito dócil e procura colo humano.

Manoel, um bugio-preto, representa outro caso. Ele precisou amputar o braço depois de ter levado um tiro. O primata teve atrofia muscular e teria dificuldade de ser aceito novamente em um grupo. A previsão é que ele seja enviado a um mantenedor particular.

Nascido no Zoológico de Brasília, 007, um tamanduá-bandeira, vive em um recinto particular. Esses espaços são parceiros na conservação da fauna do Cerrado. Fiscalizados pelo Ibama, passarão a ser acompanhados neste ano pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), conforme prevê a legislação.

Mesmo em cativeiro, esses espécimes continuam importantes para a conservação das espécies. Com a falta de lugares adequados para soltura, o cuidado em locais autorizados passa a ser uma opção para garantir a existência dos bichos.

É nisso que acredita a responsável técnica do Criador Recanto das Águias, a médica-veterinária Ludmila Rodrigues Souza, que recebeu 007. Com a guarda de cem animais, ela e a família mantêm um espaço de conservação com recintos e cuidados adequados.

Em um terreno de 20 mil metros no Park Way, o lugar, mantenedor autorizado pelo Ibama, abriga mamíferos e répteis. Nesse caso, não é permitido que eles se reproduzam ou sejam vendidos, por exemplo.

Todo o gasto com alimentação e outras necessidades dos bichos, frutos de resgates, é responsabilidade do dono da propriedade, que deve ter um técnico responsável por zelar pelos animais e condições financeiras para manter o local.

A raposa-do-campo Chacal, que chegou há cerca de sete anos, perdeu um dos olhos depois de levar um tiro e passou por cirurgia.

O foco, conta Ludmila, é a segurança e o bem-estar. “Sei que eles estão melhores aqui do que onde estavam”, avalia, ao destacar que os resgates ocorrem quando o ser humano de alguma forma destrói a natureza. “Não adianta soltar [o animal] se ele não estiver pronto. Ele vai morrer.”

Atropelada perto da Chapada dos Veadeiros (GO), a loba-guará Lua vive graças aos cuidados da família de Ludmila há cerca de oito anos. Foi a médica que ajudou a tratar as patas dianteiras da fêmea, cujo primeiro atendimento ocorreu na Universidade de Brasília (UnB).

A conservação dos animais silvestres em cativeiro garante a variedade genética para que, caso necessário, eles cruzem entre si e até recuperem a fauna na natureza de forma saudável, defende a veterinária.

Trilhando o futuro

Brasília é eleita pela 2ª vez a cidade mais sustentável do Centro-Oeste

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Brasília cidade sustentável
Foto/Imagem: Gabriel Jabur/Agência Brasília

Capital de todos os brasileiros, Brasília novamente lidera, no Centro-Oeste, o caminho da sustentabilidade, sendo novamente premiada como a cidade detentora dos melhores índices nesta temática. A honraria é conferida às cidades que equilibram o crescimento econômico com as necessidades dos seus cidadãos.

Para chegar ao status dado agora novamente a Brasília, a cidade precisa adotar, como princípio básico, o uso eficiente de recursos naturais (como gestão adequada da água e resíduos), além de um fortalecimento da governança, do consumo responsável, da justiça social e da transformação digital. Tudo isso visando a garantir um futuro melhor para as próximas gerações.

Segundo o secretário-executivo de Tecnologia da Informação e Comunicação da Secretaria de Economia do Distrito Federal (Seec-DF), Wisney Rafael Alves Oliveira, a pontuação de Brasília teve um aumento de 3,45% em relação a 2024, subindo 19 posições no ranqueamento geral. “Nossos índices mais fortes foram relacionados à gestão e ao bem-estar”, pontua.

Ele também lembrou as boas práticas em outras esferas da administração, como a segurança e a área social. “Por isso, é uma honra receber este prêmio”, afirma. “A Bright Cities reconhece que essas boas práticas são resultados de cidades inteligentes”.

Outros destaques

Além de Brasília, outras cidades da região também receberam o reconhecimento, como Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Rio Verde (GO) e Anápolis (GO). Já a classificação nacional é marcada pela predominância de municípios paulistas nas primeiras posições. Barueri lidera a classificação geral, ao lado de São Caetano do Sul, Jundiaí, São Paulo e Santos, que surgem na sequência. A capital paulista está no 14º lugar entre os aglomerados urbanos mais sustentáveis do país.

Divulgado há uma semana, o Ranking de Cidades Sustentáveis 2025 da Bright Cities é baseado nos indicadores da norma ISO 37120 – que define e estabelece metodologias para orientar e medir o desempenho dos serviços da cidade, como oferta de esgoto e água potável e a qualidade de vida.

O ranking leva em consideração um total de 43 indicadores, cobrindo os mais diversos temas, como desenvolvimento econômico, meio ambiente e governança, tornando-se uma importante referência para governos e instituições em todo o país.

Critérios avaliados

A análise na qual Brasília se destacou é baseada em cinco pilares: prosperidade, infraestrutura e serviços básicos, gestão, bem-estar e segurança. O objetivo é divulgar quais municípios possuem melhores práticas e despertar a atenção dos que recebem menor classificação, mostrando que é possível atingir melhores níveis de avaliação.

A Bright Cities é uma plataforma global de diagnóstico para municípios, cuja análise é inspirada nas normas ISO de cidades – assim como os ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) para serem cumpridos até 2030. Os ODSs englobam inúmeras frentes, como a erradicação da pobreza e a melhoria da saúde e bem-estar da população – além da adoção de objetivos como fome zero, igualdade de gênero e água potável e saneamento para todos.

Confira a lista completa das cidades agraciadas.

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Segurança alimentar

Prato Cheio: benefício será ampliado para 18 meses e mais 30 mil famílias

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Cartão Prato Cheio
Foto/Imagem: Renato Raphael/Sedes

No mesmo dia em que o Distrito Federal foi reconhecido pela garantia de segurança alimentar e nutricional com a outorga do Selo Betinho em solenidade no Palácio do Buriti, o governador Ibaneis Rocha anunciou a ampliação do programa Cartão Prato Cheio. Serão incluídas mais 30 mil famílias – atualmente, o benefício atende 100 mil – e o tempo de concessão será ampliado de nove para 18 meses.

“Não vamos mais segurar a fila do Prato Cheio. Autorizei a inclusão de mais 30 mil famílias que estavam aguardando para receber o cartão e vamos ampliar também o prazo, que é de nove meses para 18 meses, para que as pessoas sejam atendidas. Isso tudo vem no sentido de fortalecer cada vez mais as políticas públicas na área alimentar”, adiantou Ibaneis Rocha.

O governador lembrou que, antes, o DF atendia as famílias apenas com a entrega de cestas básicas. “Um programa que atendia menos de sete mil pessoas no Distrito Federal. Nós mantivemos o programa de cestas básicas, principalmente, para aquelas pessoas que chegam ali para fazer o cadastro e estão em situação de dificuldade, mas tivemos a ideia durante a pandemia de criar o Prato Cheio que hoje atende 100 mil famílias”, recordou.

“Fortalecer programas como o Prato Cheio significa garantir segurança alimentar, dignidade e respeito a milhares de famílias que enfrentam diariamente o desafio de colocar comida na mesa. Parabenizo o governador Ibaneis Rocha pela sensibilidade e coragem de ampliar esse programa. A fome tem pressa e estamos trabalhando para assegurar que cada habitante do DF tenha acesso à comida de qualidade, todos os dias e na quantidade necessária”, afirmou a vice-governadora Celina Leão.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Social, Ana Paula Marra, a medida atende uma demanda dos beneficiários. “Muitas famílias que estão no programa, assim que finalizam os nove meses procuram novamente um atendimento para serem reinseridas. Então, pensando nessa reincidência, convocamos uma reunião para podermos ampliar o Cartão Prato Cheio para que aquela família possa, de fato, nesse período sair da insegurança alimentar e nutricional”, explicou.

Lançado em caráter emergencial em 2020 durante a pandemia de covid-19, o programa nasceu para atender pessoas em situação de vulnerabilidade social. Desde a criação já beneficiou 650 mil famílias e recebeu R$ 900 milhões de investimento do Governo do Distrito Federal (GDF). A iniciativa consiste na concessão de R$ 250 por mês para compra de alimentos.

“Começamos esse programa em 2020 no ápice da pandemia. No meio da crise, quando não podíamos aglomerar, havia 6 mil pessoas aguardando a entrega de uma cesta básica. Um número pequeno se olhar o cenário de pessoas que estão sendo alimentadas com a política pública. Mas, naquele momento, existia uma fila invisível e conseguimos tirar da invisibilidade famílias que não conseguiam sequer escolher o que comeriam. Eis que nasceu naquele momento o Cartão Prato Cheio. A gente precisa alimentar a população que passa fome no nosso país”, afirmou a primeira-dama Mayara Noronha Rocha, que era secretária de Desenvolvimento Social quando o programa foi lançado.

Prato Cheio

Inicialmente, o programa previa crédito de pelo menos R$ 170 para cada família durante três meses. Depois o benefício foi ampliado para R$ 250 durante nove meses.

Ao ser lançado em 2020, foram atendidas 30 mil famílias. Em 2021, o ciclo aumentou de três para seis meses, atendendo 40 mil famílias. Em 2022, o ciclo foi ampliado para nove meses, beneficiando 87 mil famílias. O ciclo de nove meses foi mantido nos dois anos seguintes, mas o número de famílias atendidas cresceu. Assim, tanto em 2023 quanto em 2024 foram contempladas 100 mil famílias.

O volume dos investimentos também aumentou a cada ano. Em 2021, quando o programa virou lei, foram investidos R$ 51 milhões no Prato Cheio. Em 2024, os investimentos chegaram a R$ 292 milhões.

As famílias contempladas estão concentradas em 11 regiões administrativas do DF: Ceilândia (14,8%), Planaltina (11,2%), São Sebastião (9,7%), Itapoã (8,5%), Sobradinho e Sobradinho II (7,3%), Taguatinga (5,7%), Santa Maria (5,4%), Paranoá (4,8%), Gama (4,8%) e Recanto das Emas (4,2%). As outras cidades reúnem 7,8% das famílias beneficiadas.

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