Passear no mato é perigoso. Bom mesmo é levar alguém junto

Maryna Lacerda
Agência Brasília

Em período de férias, as visitas a trilhas e cachoeiras tendem a se intensificar. Para que não aconteçam acidentes durante o passeio, é importante seguir dicas simples de segurança e prestar atenção à previsão do tempo. Como a época é também de chuvas, pedras e caminhos tendem a ficar mais escorregadios. Além disso, a precipitação nas cabeceiras e nascentes de rios pode provocar aumento repentino do fluxo, as chamadas trombas d’água.

Um dos erros ao se frequentar esses locais, pela primeira vez, é ir sozinho ou, quando em grupo, dispensar o guia. Essas opções aumentam o risco de se perder no caminho ou de escolher uma trilha perigosa. O ideal é sempre fazer o passeio em, no mínimo, duas pessoas. “É importante também sempre levar água potável, lanterna e, se possível, mapa da região”, explica o comandante da Companhia de Salvamento Aquático do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, tenente Victor Mendonça.

Além disso, é fundamental levar os aparelhos celulares completamente carregados. Somente um deve ficar ligado por vez, e o outro só após o primeiro descarregar a bateria. Ainda que na cachoeira não haja sinal, em caso de acidente é possível voltar ao ponto coberto por antenas e ligar para o resgate. “Alguns têm a opção bússola ou GPS, que pode ser enviada para a equipe de resgate ou inserida no sistema das nossas aeronaves. Assim, o acesso ao local do incidente fica mais rápido e preciso”, destaca o tenente Mendonça.

É fundamental também avisar aos familiares quando se vai a uma trilha ou cachoeira, e informar qual a previsão de retorno. Se o prazo se esgotar e a pessoa não comunicar o retorno, deve-se comunicar ao Corpo de Bombeiros imediatamente. “Nosso procedimento é um pouco diferente do feito pela polícia. Não é necessário esperar 24 horas para comunicar o desaparecimento. A primeira hipótese com que trabalhamos é a de que a pessoa está perdida”, explica Mendonça.

Ao programar uma trilha, é necessário verificar a previsão do tempo para o dia. “Com chuva, é melhor abortar a visita”, afirma o comandante da Companhia de Salvamento Aquático. Nessas condições, as pedras ficam mais escorregadias. É o caso do Salto do Tororó, cachoeira muito visitada nesta época, com caminhos íngremes que demandam atenção.

Além disso, as chuvas nas cabeceiras dos rios podem elevar rapidamente o nível da água e, com isso, provocar o fenômeno conhecido como tromba d’água. Caso a trilha já tenha começado quando o temporal desabar, a recomendação é retornar ao local de origem. Se houver cachoeira, o ideal é procurar um ponto alto, distante do curso d’água.

A maior parte dos acidentes está relacionada a traumas de pessoas que se perdem nas trilhas, de acordo com o tenente Mendonça. No caso de afogamentos, crianças e adultos jovens são as principais vítimas. O consumo de bebida alcoólica e de drogas também provoca os incidentes.